Meu quarto estava desarrumado, a colcha que deveria estar na cama já estava jogada no chão e minha jaqueta caíra da poltrona. O sol iluminava metade da minha cama e alcançava o tronco de Levi, que usava a camiseta branca que eu fizera.
Nós estávamos sentados um de frente para o outro. Minhas pernas estavam esticadas de modo que meus pés ficavam no colo dele. Aproveitando-se de nossa posição, Levi passava a mão por minha panturrilha, e quando se inclinava um pouco, brincava com meus joelhos.
Eu prendi meu cabelo em um coque desgrenhado que teimava em se soltar cada vez que eu cedia à brincadeira e jogava minha cabeça para trás. Era fácil ceder a qualquer coisa quando estava com Levi. Nós quase não discutíamos, sempre gostamos um do outro mesmo discordando da maioria das coisas. Nunca tivemos ciúmes um do outro - nenhum ciúme pronunciado, pelo menos -, porque sabemos que estamos juntos, mas que não somos donos um do outro.
Levi sempre despertou algo em mim. Afinal, eu sempre tive preferência por homens, não por garotos. E eu gosto do jeito como ele deixa o cabelo castanho claro para trás, da barba rala que faz cócegas quando toca meu rosto, de toda a altura incomparável dele e do mais incrível, o sorriso - mesmo ele não o exibindo muito.
Para nós não precisarmos sair da cama, eu deixei o telefone ao meu lado. Eva disse que ligaria para mim logo depois do almoço. Levi aparecera de surpresa e ele mesmo preparara algo para comermos.
O telefonema daquele dia talvez tenha sido o grande causador de tudo o que aconteceu.
Estávamos brincando com a luz do sol na minha perna quando o telefone tocou. Coloquei no viva voz. Conversamos um pouco até chegar ao principal motivo da ligação.
"Aurora", a voz dela era envergonhada, "o Levi não está aí, não é?".
"Não, Eva, pode falar", Levi sorriu quando eu menti.
"Vocês já dormiram juntos?". Ela fora rápida e direta.
"Já. Quando ele dorme aqui, sim".
"Não estou falando disso", e continuou como uma repreensão "Você sabe do que eu estou falando...".
Eu soltei um riso abafado.
"Ah, é claro. Não, isso ainda não", disse olhando para ele. "Logo, logo", acrescentei sorrindo.
Levi gesticulou e eu entendi quando ele proferiu "Que ótima notícia" sorrindo.
Não deu tempo de me despedir de Eva, pois ele mesmo puxara o fio do telefone e o deixara mudo.
Surpreendentemente fiquei agradecida, não queria falar com mais ninguém, nem pensar em mais nada, e muito menos fazer outra coisa a não ser aquilo que estávamos fazendo.
Com a cabeça pendurada como antes, tentei puxar algum assunto.
"Qual seu tipo de mulher, Levi?", perguntei.
Ouvi quando ele riu baixinho. Inclinei-me para ver seu rosto e ele, olhando para minhas pernas, tirou-as de seu colo e ajeitou a calça jeans.
"Eu gosto de mulheres mais novas, que têm cabelos castanhos compridos e que os usa em um coque bagunçado", ele fez uma pausa e piscara para mim.
Não estava mais sentado, estava ajoelhado sobre a cama.
"O meu tipo de mulher," disse continuando, "tem que ter olhos castanhos", seus joelhos o traziam aos poucos para os meus, "tem que ser mediana, ter pernas macias o suficiente para eu brincar com elas, mentir para as amigas sobre o meu paradeiro".
Ele parou de falar quando estava com o corpo esguio sobre o meu, que já estava deitado.
"Os cabelos dela têm que se soltar do coque toda vez que ela se deitar", disse passando a mão por meus cabelos livres e completou "e tem que ser a pessoa mais incrível que eu já tenha visto".
"E não se esqueça que ela não gosta de ficar por baixo, mon amour", eu disse enquanto contornava os longos braços dele e me apossava de seu tronco, que agora repousava sobre a cama.
Lentamente, eu desabotoei minha camisa e a joguei onde estava minha jaqueta. Ele pôs as mãos nos olhos sorrindo.
"E qual é o seu tipo de homem, Aurora?", ele perguntou colocando as mãos nas minhas costas e me abaixando para um beijo.
"Aquele tipo que gosta de me descrever fingindo que não sou eu", respondi.
Levi sorriu.
Eu não dormi depois de ficarmos juntos. Levantei-me quando ele adormecera e fui para o banheiro. Passei pelo espelho e meu cabelo estava todo ensebado de suor. Decidi tomar um banho.
A água gelada caía e eu me ensaboava pouco. Distraída, pensava em Levi quando ele mesmo abriu a porta.
"Não precisa fechar a porta, já vi o que tinha que ver, pequena", ele disse.
"É a força do hábito", respondi de dentro da banheira. Estava de olhos fechados.
Quando virei o rosto para a direção de sua voz, vi que ele estava enrolado no meu lençol.
"Não precisa usar um lençol, já vi o que tinha que ver", disse rindo por poder repetir sua fala.
"Eu achei que para o que vou fazer agora precisasse", ele respondeu, mas eu não havia entendido.
Ele se ajoelhou ao meu lado, pôs a mão dentro da banheira para procurar minha mão, e quando a achou, roçou seus dedos por meus quadris. Segurando-a firme, mas suavemente, ele sorriu.
"O que você responderia se eu pedisse nesse exato momento para você casar comigo?"
Surpresa, fechei os olhos e respirei fundo.
"Diria que sempre foi meu sonho ser pedida em casamento dentro do meu banheiro, pelada", eu sorri. "E aceitaria, é claro!", completei.
Ele soltou minha mão, levantou-se, retirou o lençol dos quadris e entrou na banheira, na minha frente. Pegou minhas pernas e começou a brincar com elas. Levi jogou a cabeça para trás e disse que me amava.
"Eu sei", respondi.