Um avião, dois aviões, três aviões e ele ainda não chegou. Há horas estou sentada aqui esperando-o. Minha esperança é tão grande que tenho medo de ler algum livro ou escutar música e me distrair. Assim eu não poderia vê-lo passar.
A cada um que entra, meus olhos se estreitam um pouco e tento reconhecê-lo. Na verdade, não sei como ele está. Louro, moreno, cabelos longos ou não, olhos escuros ou não. Espero que ele esteja de barba, com alguma roupa social, os cabelos arrumados e a mochila na mão. Poderia ser uma mala também. Contudo, eu só espero que ele venha logo.
Quando cheguei aqui hoje, um homem muito parecido com ele apareceu. Pelo que pude ver, o homem viera de outro país. Levantei-me estreitando os olhos e deparei-me com uma figura sorridente muito parecida com quem eu espero. Mas não era. Aquele não era o sorriso resoluto pelo qual eu esperara. Sentei-me novamente.
Virei-me diversas vezes na cadeira querendo ir ao banheiro, mas não podia. Senti sede, sono, cansaço, mas ali fiquei e fico.
De repente, avistei ao longe aquele cabelo, aqueles ombros e a barba que gosto. Desta vez eu sorria e fui de encontro. Ao aproximar-me, fingi que esbarrara e prossegui. Não, não era ele. As ruguinhas em volta dos olhos dele não reagiram ao dizer "desculpe". Então voltei à minha cadeira.
Homens passavam e comigo falavam. Como eu queria que finalmente algum deles fosse ele! Pensei em desistir e ir para casa. Não, ele não merece isso.
As grandes janelas anunciavam a chegada de mais um avião, e dentro dele toda a minha esperança, de novo. Famílias se abraçam, amigos choram, pessoas chegam e vão para casa sozinhas. Novamente, não o vi.
Outro avião, mais um, e então uma voz de mulher anunciou em três idiomas que o avião atrasara. O último avião que eu esperarei hoje. Mais duas horas e ele, finalmente estará aqui.
Sempre atenta ao tique-taque do relógio, fui ao banheiro, bebi um suco e voltei ao meu lugar. Comecei a pensar em como fui parar ali.
Espero-o há tanto tempo que perdi a conta. Tento ouvir sua voz quando o vento chega ao meu ouvido, ou então, vê-lo por reflexos em lojas de espelhos. Eu não o conheço, nunca o vi, mas espero encontrá-lo.
Não é uma busca pelo amor perdido, só tento encontrar a pessoa por quem vou me apaixonar a primeira vista. Sei que quando olhá-lo, saberei que ele é o homem feito para mim. Louro, moreno, barbudo, bagunçado, que seja. Eu saberei quem é. E por isso venho aqui. Esperar que ele venha de algum outro lugar, que ele desça de algum desses aviões e que eu sinta que é ele. E então ele sentirá que sou eu. Nós sentimos, nós sabemos, nós queremos. Não é fácil.
E não é difícil.
Quando avião atrasado chegou, ele também não estava lá. Nenhum dos homens despertara nada em mim. Nada aconteceu. Nenhum sorriso, nenhuma ruga em volta dos olhos. Nada.
Vencida pelo sono, desisti. Comprei outro suco, peguei minha mochila e fui caminhando para saída do aeroporto. Era bom pisar novamente o chão, sentada meus pés não conseguem.
Saí pela grande porta giratória e deparei-me com um movimento de carros, barulho de buzinas, o som de malas de rodinha e olhei para frente.
Ele vinha atravessando a rua, sorrindo um sorriso resoluto, com suas rugas em volta dos olhos e um cabelo lindo. Alto como só ele poderia ser, parou em minha frente e se curvou, olhando-me nos olhos.
"Olá", disse ele.
Com minha voz fraca, respondi "Oi".
"Quantos anos você tem? Está perdida?", e um fio de cabelo caiu sobre seu olho.
"Tenho seis anos. Não, não estou perdida".
junho 16, 2011
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