dezembro 31, 2009

A década de Stephanie

Hoje é dia 31 de dezembro de 2009, o último dia da década.
O último texto do ano. E dessa vez, vai ser especificamente sobre mim.

A década se iniciou em 2000 e de lá para cá, muita coisa aconteceu.
Nos dez anos - quase passados - eu fiz muita coisa.
Em 2000 eu ainda morava na minha antiga casa, então, minha vida de criança continuava a mesma.
Em 2001 me mudei para onde moro. Chorei para sair da antiga casa, e não gostava da nova residência. Mudei de escola e não me lembro de gostar do pessoal no início - eu sempre tive a mania de me adaptar, mas isso não quer dizer que eu gostava muito -, mas aos poucos, eu fui crescendo e vendo que era melhor gostar. Conheci o Ricardo, amigo de infância, quase-irmão.
- Em 2001 teve o ataque extremista às Torres Gêmeas.
Em 2002 eu estava na segunda série e já gostava da escola. Até esse ano eu não escolhia as coisas. Talvez eu ainda não tivesse terminado de firmar minha opinião.
- Em 2002 Lula foi eleito presidente do Brasil.
Em meados de 2003 eu conheci o Blink 182, e aprendi o que era música, rock e gostos. Fiquei amiga da Thais graças a um sapinho e isso dura até hoje.
- Em 2003 Marte ficou a 55.758.006 km da Terra.
Em 2004 eu já era fã do Blink e já tinha 2 cds. Na escola arrumamos confusão porque achávamos um garoto mais velho muito bonito e a nossa professora não gostava.
- Em 2004 foi ano bissexto e o Tsunami do Sudeste Asiático.
Em 2005 eu refinei o que aprendi em 2003, mas de um modo diferente. Aos 11 anos conheci o My Chemical Romance e iniciei o pior momento com meu pai até hoje. Eu nunca achei que fosse filha dele o bastante.
- Em 2005 o Papa João Paulo II morreu e Jean Charles foi confundido com um terrorista em Londres.
Em 2006 nós consertamos isso, meu pai e eu, e talvez eu tenha visto que de qualquer forma, não sendo filha o bastante, ele ainda era o meu pai e me amava. Aos 12 anos me apaixonei pelo Gerard Arthur Way e toda a sua trupe, me transformei em uma fã maior, de verdade. Nessa mesma idade, Carol e eu nos tornamos amigas de verdade e não nos separávamos. Ainda em 2006 eu ganhei uma revista que contava sobre psicopatas. Até aí eu queria ser decoradora de interiores. Conhecemos o João, o melhor amigo mais espontâneo, acidental e inesquecível que tivemos, temos e teremos.
- Em 2006 Lula é reeleito.
Em 2007 eu parei de gostar de um menino que muito tempo ficou na minha cabeça, uma da minhas melhores amigas chegou, eu mal a conhecia e ela não ia com a minha cara. O Peduto disse gostar de mim e iniciou uma longa e complicada trajetória de foras amigáveis. Desisti de decoração e quis ser animadora gráfica. Comecei a gostar de filmes. Conheci o Martino e fizemos um contrato baseado em desenhos.
- Em 2007 ocorreu o desastre com o vôo TAM 3054 e bandidos arrastaram uma criança presa ao cinto de segurança com o carro em movimento.
Em 2008 comecei o teatro. Teve a formatura e a primeira apresentação de música. A Paty já gostava de mim e já me considerava sua melhor amiga. Conhecemos a Cecília na noite da Pizza e o Peduto se declarou no dia dos namorados. Aos 14 anos, Carol, Paty e eu fizemos a prova da ETEC de São Paulo e isso foi como uma tragédia para o nosso intelecto. Mas foi bom, aprendemos que provas assim são sorte e que não era para ter acontecido. Aprendi a amar a leitura com o Caçador de Pipas. Ficamos amigas do Lucas. Aos 14 anos já sabia de cor o nome dos maiores psicopatas e o que eles fizeram. E finalmente, no dia 18 de fevereiro, sete dias após meu aniversário, ganhei o maior presente. No dia 18 de fevereiro de 2008 fui ao show dos meus garotos, dos meus amores, do meu My Chemical Romance.
- Em 2008 houve o suposto terremoto no Brasil.
Em 2009, agora com 15 anos conheci o Paul Banks e o Interpol - lion e lioness -, conheci o Friendly Fires, Vampire Weekend e uma bando de gente que agora eu escuto. Assisti muitos filmes e fiz uma coleção. Li 18 livros, ganhei um álbum feito pela Carol e pela Paty de aniversário, teve a 2ª apresentação de música. Nos juntamos com um pessoal e formamos os Iluminados - que com o tempo foram se apagando, mas que a importância continua a mesma. O Lucas vem em casa sempre graças a minha avó e a mim. Aos 15 anos conheci o Centro de São Paulo - o de verdade - com o João e o Martino. Fui à Avenida Paulista pela primeira vez, junto com a Carol, Cecília e a Paty - graças ao trabalho de inglês. Conversei em inglês com um gringo. Senti a sensação incrível que o Giba passa e o horror que é sair com ele. Aprendi o que é forense e o que pode ser do meu futuro. E chorei com a confirmação do meu não futuro Gerardiano.
- Em 2009 o mundo elegeu Barack Obama, especulações sobre 2012 aumentaram e a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas.

Estou aqui, com 15 anos, para dizer que são 22:05. Faltam 1:55h para uma nova década começar e muito mais coisas acontecerem.
Faltam 1:55h para eu viver mais coisas.

Adeus
2009

dezembro 18, 2009

A Eternidade está mais para o Agora

Desde criança eu penso que o "para sempre" tem que ser usado com muito cuidado. Por isso, eu raramente digo para sempre. Mas o que há com as outras pessoas?
Acredito na verdade que o "para sempre" não dura a eternidade. O que será levado pela eternidade se chama Lembrança, e ela sim pode durar para sempre.
Não interpretemos mal a Eternidade. Como dito no outro post, se quisermos viver para sempre, viveremos, pois nos transformaremos em lembranças. Em fatos. No entanto, o cuidado está ao tratar um sentimento. Sentimentos são os mais raros "para sempre". E no Agora, vê-se a Eternidade se dissipando, tornando-se somente a palavra sem o significado, já que todos agora usam.
A Eternidade equivale ao agora. Já que hoje se diz que os sentimentos durarão para sempre, todo e qualquer sentimento.
Os sentimentos bonitos, a felicidade não durará para sempre. Eles são passageiros como tudo nesta vida. E o quando se acaba, o que resta é a lembrança do sentimento bonito e da felicidade - o que não é tão ruim.
O agora se transformará numa lembrança que talvez dure para sempre,
mas a eternidade só dá o ar de sua graça para quem merece.

A vida é incerta. Minhas opiniões não são eternas.
Serão somente lembranças do que é o agora.

dezembro 05, 2009

Diário

Diário,
Chuck Palahniuk,
2003.

Não estou acostumada a fazer posts sobre livros, pois sou uma pessoa ciumenta com minhas coisas e tenho medo de despertar em todos uma súbita paixão por meus companheiros. No entanto, desta vez eu quero colocar um livro aqui. Isto não é um texto de indicação, é um texto de reflexão.
Diário é o segundo livro de Chuck Palahniuk que leio. O primeiro foi Cantiga de Ninar, onde eu percebi a sutileza do autor para tratar de assuntos do dia-a-dia; com situações fora do normal. Em Cantiga de Ninar as pessoas podiam trocar de corpos e os imóveis eram assombrados. Em Diário, os cômodos da casa somem e pessoas sofrem da Síndrome de Stendhal a partir do renascimento de uma artista.
Primeiro Maura Kincaid, depois Constance Burton e por último - mas não a última - Misty Marie Kleinman, ou Misty Marie Wilmot.
Chuck Palahniuk resolveu, desta vez, cutucar a sociedade mostrando como nós, todos nós, vivemos em comas pessoais. Vivemos presos em cárceres e nos adaptamos, não nos manifestamos para o que nos espera.
Com frases como "Pode sentir isso?" e "Um drinque. Uma aspirina. Repita", Chuck nos dá tapas na cara. E com reflexões como "O que você não entende pode significar qualquer coisa", saímos do coma.
Comas pessoais, cárceres, prisões, Síndromes, mentiras. Comas.
Como nos iludimos, como não vivemos.
Todo mundo está vivendo um coma pessoal.

"O que ela aprendeu é o que ela sempre aprende. Platão estava certo. Todos somos imortais. Não podemos morrer se não quisermos."

Aqui acrescento, para o meu eu futuro, que se eu quiser um dia viver para sempre, transformarei Diário de Chuck Palahniuk em um filme.