maio 06, 2010

Ambivalência

A casa em que Ian e Annabel moravam era pequena e aconchegante, sem paredes para dividir os cômodos. A idéia foi de Annabel, de que nem paredes os separassem um do outro. Nenhum dos dois se preocupava com contas, com visitas ou viagens. Desde que alugaram aquele lugar, só precisavam um do outro.
Era noite, Ian estava deitado na cama fumando enquanto Annabel pintava as unhas do pé ao seu lado.
- Pode colocar uma música? - disse ele colocando a mão desocupada na nuca de Annabel.
Ela sentiu o calor no corpo dele e estremeceu.
- Ian, eu estou pintando as unhas, pare de fazer isso senão eu vou borrar todo meu pé de preto.
Ian se sentou, jogou o cigarro dentro de um copo de vinho e se virou na direção das costas de Annabel.
- Gostaria de uma massagem, meine liebe? - e colocou as mãos por baixo da camiseta larga dela quando viu que o sutiã vermelho estava pendurado na guarda do sofá.
Ela acompanhou o olhar dele e disse:
- Bom, você sugeriu uma massagem hoje cedo, se lembra?! Por isso ele está lá.
Ian, que já estava com a cabeça encostada nos ombros de Annabel, riu perto do ouvido dela. O ar quente dele estava acabando com a resistência dela. Quando Annabel encostou o vidro de esmalte no chão, Ian pôs as mãos nas coxas dela.
- Ian!
- Que foi? - e soltou um riso baixo quando ela não o impediu de levantar suas pernas. - Fazer ballet foi a melhor decisão da sua vida...
Annabel derrubou a caixa de esmaltes quando se virou para olhar nos olhos de Ian.
- Você está incontrolável hoje! - ela tentava deixar a voz firme, mas Ian estava com o olhar penetrante, convidativo.
Ele pegou nas pernas de Annabel e encaixou na sua cintura. Pôs uma das mãos por debaixo dos longos cabelos castanhos dela e a outra dentro da camiseta dela.
- Ian, Ian... - ela ofegava - Ian, eu preciso..
- Calar a boca - ele completou.
Derrotada, Annabel se enrolou no pescoço de Ian e o beijou. Ela podia sentir o calor do corpo dele entrando no corpo frio dela.
Suado, Ian se levantou cambaleando e pegou um cigarro. Annabel ainda dormia. Acendeu o cigarro, olhou para seu reflexo no vidro da janela e se virou para Annabel. Encostado na parede, deslizou até o chão e se sentou. Pensou por um tempo suficiente para Annabel acordar.
- Você não me deixa pintar as unhas.
- E você não me deixa fazer massagem em você... - ele se levantou do chão, foi até a cama e ajoelhou-se em cima dela.
Annabel levantou o tronco e beijou-o.
- Vou terminar de pintar as unhas...
- Ah, não vai não! - e a empurrou novamente para o travesseiro.
- Ian, você não se cansa? - ela bateu nos ombros dele.
- Não posso querer me deitar juntinho a você? Você tem uma cabeça também, eu não disse nada sobre sexo, só quero ficar do seu lado.
Ele se deitou ao lado de Annabel, puxou-a para encostar no peito dele. Pouco tempo depois ela voltou a dormir.
- Se você soubesse o quanto eu amo você.. - ele disse, beijando-a na testa.
Num impulso involuntário, ela cravou as unhas no peito dele.
Com um sorriso no lábio, ele esticou o braço e pegou outro cigarro. Não tinha sono.