- Saiba que ficar longe de mim vai te deixar deprimida - alegou Oliver, convicto.
- É justamente por isso que não te aguento mais. E eu te prometo que não vou ficar deprimida - sorriu um sorriso cheio de sarcasmo, virou as costas e começou a andar.
- Eileen! Eileen, espere. Vamos conversar! - correu alguns passos.
Eileen parou, pôs as mãos na cintura e bufou. Enquanto Oliver se aproximava, ela se virou e o encarou. Ele, sem jeito, colocou a mão no rosto dela.
- Desculpe - ele piscou, completamente perdido -, vou ficar atordoado sem você. Já estou atordoado.
- O amor sempre deixa alguém deprimido. Aliás, ficar longe de mim vai te deixar deprimido - ela tirou a mão dele de seu rosto.
Oliver parou e tentou esconder as lágrimas.
- Mas eu realmente gosto de você - disse coçando os olhos -, eu tinha planos.
Eileen riu.
- Oliver, não sou mulher de planos. E afinal, se você gostava tanto de planejar o futuro, deveria ter planejado me tratar melhor, ser mais carinhoso. Mas saiba que ainda está em tempo - pôs as mãos no ombro dele -, você pode deixar de ser tão prepotente e perfeccionista. Dê chance aos outros de errarem, dê uma chance a você mesmo.
O silêncio bastou. O portão já estava aberto e as malas prontas. Eileen estava de tênis, jeans e camiseta branca. Oliver estava impecável, de sapato, cabelo arrumado para trás com gel e muito perfumado.
- Eu não te esqueci - assumiu Eileen -, só quero dar uma chance a mim. Quero te dar uma chance de arrumar uma pessoa certa o suficiente.
- Você é a pessoa certa para mim, Leen - pegou a mão dela.
- Não, não sou - apertou a mão dele carinhosamente e a soltou -. Até algum dia, tenho certeza de que ainda nos esbarraremos.
Eileen saiu, atravessou a rua no escuro e parecia aliviada. Se alguém a visse diria que ela voava. Oliver, no entanto, sentou no chão e se pôs a chorar.