março 30, 2010

Sim,

- Nós precisamos mesmo disso? - pergunta Clarissa.
- Também estou me perguntando isso.
Apolo não precisava de muitas palavras para descrever aquele momento.
- Nós ainda nos amamos? - ele tenta.
- Também estou me perguntando isso - Clarissa responde, insípida.
Há tempos o relacionamento não era o mesmo. Tudo tinha perdido o sabor.
Eles se olham no fundo dos olhos, sentados no tapete encardido do quarto dele e ela indaga:
- Foi o tempo que fez isso com a gente?
- Não sei. Você ainda está animada com tudo como estava no início? - ele abaixa os olhos.
- Na verdade não - responde -, mas eu ainda te acho uma peça fundamental no meu quebra-cabeça - forçando um sorriso amarelo.
- Você também é uma peça fundamental - passa a mão pelos cabelos dela -, mas será que nossas peças estão próximas o suficiente do centro?
O silêncio respondeu. Eles não se olharam mais enquanto Apolo remexia nos fiapos de sua meia.
De repente Clarissa se levantou e andou em direção a porta do quarto. A única coisa que Apolo pensou foi que tudo havia acabado, e mesmo que não fosse surpresa, aquilo doía.
Quando chegou a porta, com a intenção de ir embora, Clarissa sentiu um aperto. Seu nariz se aguçou, em sua cabeça todos os momentos juntos passaram como um relâmpago. Ela decidiu não sair. Somente apagou a luz.
- O que é isso? - indagou Apolo surpreso.
- Nossa última tentativa para sabermos o que aconteceu - Clarissa respondeu se envolvendo no pescoço de Apolo, enquanto ele puxava a sua cintura para mais perto de seu tronco.
Apolo acordou primeiro, limpou a testa suada de Clarissa e depois olhou para a lua que estava encoberta por nuvens. Ela abriu os olhos aos poucos e os acostumou a enxergar pelos relâmpagos que iluminavam o céu, e o rosto de Apolo - seu Apolo.
- Apolo, onde eu estou localizada no teu quebra-cabeça? - perguntou encostando o queixo no peito dele.
- Você está na parte do coração. - Ele sorriu - Isso soou clichê?
- Sim, mas isso não importa. Nós precisamos mesmo disso, precisamos um do outro. - E o beijou com ternura, olhando seu rosto marcado através da chuva.