Incrível como tem coisas que são únicas, individuais, que cada ser pode sentir de formas diferentes dentro de si. Assim como a felicidade dentro de ciclano não é igual à felicidade de clanoci.
Como existem prazeres únicos na vida, momentos únicos, momentos únicos.
Em cada alma, em cada corpo, em cada milímetro de vento que passa por cada rosto do dia, cada fato é único.
Eu penso muito nisso e outro dia cheguei a uma conclusão definitiva. Vamos a um caso hipotético:
Uma mulher andando de trem para o trabalho não presta atenção nos corpos que a cercam. Certo, ela não vê, não enxerga a energia das pessoas. Não presta atenção nas árvores caídas pela estrada ao lado da linha, ou não repara em um casal de idosos sentado à sua frente (talvez até preste atenção na bolsa de uma mulher, pensando talvez em como o objeto não combina com a roupa ou o sapato, ou em como a outra mulher fica vulgar com tal batom - Me pergunto se ela presta atenção na mulher). Ela não enxerga. É o pior tipo de cegueira. A de ver sem enxergar. Um belo dia, essa mulher, dentro de sua bolha, de seu mundo, repara que está na hora de enxergar e reparar em cada pessoa que passa. Ela vê como o mundo é amplo, como há diversos tipos de pessoas, cada uma única de seu jeito.
Eu não sou essa mulher, mas poderia ser, como tantas outras são. No entanto, acho que é mais divertido enxergar além de ver. E é essa a conclusão definitiva a qual cheguei outro dia: cada rosto que vemos na rua nós vemos porque temos que ver, porque essa pessoa tem algo a nos dar. Independente se é pobre, feio, suja ou bonito demais. É porque devemos que vê-la.
Penso muito nisso. Voltemos ao mesmo caso hipotético:
Essa mesma mulher pegou um trem cheio em uma das idas ao trabalho. Eram muitos braços erguidos para equilibrar seus corpos-mãe, eram muitas as barreiras para ver o mundo. Mas, aos poucos, ela enxergava alguns rostos. Esses rostos eram para ela ver, eram para ela prestar atenção. Cada rosto, cada objeto, cada sapato, cada janela com sua vista ampla, cada ser e cada energia única.
Bonito como temos de ver tantos rostos e não vemos. Bem, eu sei que vejo além. Eu enxergo. E lamento por aqueles que têm o câncer moral de não enxergar.