O relógio, o tempo, o relógio-relógio está me deixando esquizofrênica de uma certa forma inexplicável. Cada instante que olho para ele perco minha sanidade, de gota em gota.
É, um conta gotas. Pois, ao olhar 19:09 parece que demorou uma eternidade para eu fitá-lo de novo e descobrir que ainda eram 19:11. E talvez uma vida até 19:24. Uma coisa, não sei; maçante não é exatamente a palavra... Uma coisa conta-gotas. E a cada milésimo de segundo me despeço.
Despeço?
Desse lado da vida. O lado são talvez. Oh, Ausência, nesse lado você existe. Entretanto, no lado em que dou boas-vindas, não a vejo. Vejo tudo tão alto e distante nesse novo lado. Tudo tão confortável. Fecho-me com toda animação na frente de uma teletela, com uma grande blusa preta e coloco a minha química para descansar (ordem estabelecida pelo outro lado), para chegar ao outro lado. Um acordo muito bem feito, digo.
Posso descrever o novoutro lado como o espaço, cheio de pontos brancos no negro horizonte, com faixas que ficam coloridas as vezes, mas que sempre voltam ao branco-paz. Onde eu me afogo. Afogo feliz. Digo "Adeus sanidade" e mergulho para minhas químicas.
De repente, o relógio que avisava 20:03 em questão de segundos anunciou 20:11. De repente, 20:24.
Relógio bobo.