dezembro 05, 2009

Diário

Diário,
Chuck Palahniuk,
2003.

Não estou acostumada a fazer posts sobre livros, pois sou uma pessoa ciumenta com minhas coisas e tenho medo de despertar em todos uma súbita paixão por meus companheiros. No entanto, desta vez eu quero colocar um livro aqui. Isto não é um texto de indicação, é um texto de reflexão.
Diário é o segundo livro de Chuck Palahniuk que leio. O primeiro foi Cantiga de Ninar, onde eu percebi a sutileza do autor para tratar de assuntos do dia-a-dia; com situações fora do normal. Em Cantiga de Ninar as pessoas podiam trocar de corpos e os imóveis eram assombrados. Em Diário, os cômodos da casa somem e pessoas sofrem da Síndrome de Stendhal a partir do renascimento de uma artista.
Primeiro Maura Kincaid, depois Constance Burton e por último - mas não a última - Misty Marie Kleinman, ou Misty Marie Wilmot.
Chuck Palahniuk resolveu, desta vez, cutucar a sociedade mostrando como nós, todos nós, vivemos em comas pessoais. Vivemos presos em cárceres e nos adaptamos, não nos manifestamos para o que nos espera.
Com frases como "Pode sentir isso?" e "Um drinque. Uma aspirina. Repita", Chuck nos dá tapas na cara. E com reflexões como "O que você não entende pode significar qualquer coisa", saímos do coma.
Comas pessoais, cárceres, prisões, Síndromes, mentiras. Comas.
Como nos iludimos, como não vivemos.
Todo mundo está vivendo um coma pessoal.

"O que ela aprendeu é o que ela sempre aprende. Platão estava certo. Todos somos imortais. Não podemos morrer se não quisermos."

Aqui acrescento, para o meu eu futuro, que se eu quiser um dia viver para sempre, transformarei Diário de Chuck Palahniuk em um filme.